Poemas do
Dr. Lauro Barros Fontes

UM MUNDO ATORDOADO

 

Como uma tempestade de vento
Que você sente mas não vê
Nasce lá pras bandas da China
Um vírus que maltrata e arruina
E você não consegue conter

Sem tomar satisfação
Ele  segue a sua viagem
Pousa em todos continentes
Deixa a ciência impotente
Atinge o de maior idade

O mundo atordoado
Um médico que não abandona
O neto que eu não vejo
Em quem não posso dar um beijo
Por conta do vírus corona

Oh, meu Brasil
Você que chora com tanta dor
Estamos isolados
Muitos inconsolados
Pelo pavor e o temor

Não se preocupe meu amigo
Tenhamos calma nesta hora
A ciência estudando
Todos juntos rezando
Este vírus vai embora

Pra alegria de todos
A quarentena vai acabar
Espere mais um pouquinho
Procure dar carinho
Vamos todos nos abraçar

 

 

MAIS UM DIA CINZENTO

O dia amanheceu sem cor
Sem alegria, sem  brilho e frescor
Não vi as nuvens nem o azul do céu
Até a rosa do campo murchou

Não dei o abraço do filho
Não levei o neto pra passear
O dia ficou comprido
Parecia que não ia acabar

Há sempre uma dúvida
Quando as cores irão voltar
O pincel que pinta a esperança
Fará o sol fortemente brilhar

Na aquarela dos meus sonhos
Dou um toque de romantismo
Pinto as ruas da cidade
Na criança vejo um sorriso.

 

 

VOLTEI A SORRIR

Andava pelas ruas
Na mais alta madrugada
Noites tristes e nuas
Uma veste rasgada
O frio ardia na pele
Do andarilho desprovido de amor
Um seresteiro carrega o seu violão
Dedilha suas cordas
Canta como jamais cantou
No silêncio da madrugada
O som ecoa nas ruas vazias
O homem triste que não sorria
É tocado pela emoção
Sorrisos e mais sorrisos
Ao ouvir o que dizia a canção.

 

 

PORQUE HOJE É DOMINGO

O sol chama atenção
Bate na porta do meu quarto
O dia já clareou
Iluminando todo o telhado
Abro a porta para felicidade
Sem qualquer ansiedade
Encontro o amor sorrindo
Porque hoje é domingo

Dou meu coração pra mulher amada
Planto uma flor no jardim
De tristeza não entendo nada
Parece que o dia não tem fim
Na areia da praia eu brinco
Com a natureza eu brindo
Porque hoje é domingo

Peito aberto ao tempo
Corro contra o vento
Jogo minhas tristezas para o ar
Não deixo ninguém pegar
Contente eu vou partindo
Porque hoje é domingo

O céu está mais azul
Gaivotas voam em busca do ninho
Da bela mulher arranco um carinho
Na beira do cais a tristeza está dormindo
Tudo isso acontece
Porque hoje é domingo

Crianças correm na …

 

 

 

O MÉDICO E A PANDEMIA

Heróis de uma batalha sem tiros
Sempre ouvindo gemidos
Um médico destemido
Lutando contra uma doença
Que jamais tinha visto
Sua arma é a doação
Que carrega na bagagem
Munido de muita crença
Não lhe falta a coragem
Honrando o juramento
Guerreiro de uma batalha
Que por vezes chora
Não contém suas lágrimas
Quando seu enfermo vai embora
Discípulo de Esculápio
Não foge da sua missão
Luta pra salvar vidas
De uma doença desconhecida
Com bravura e atenção.
 

 

POR QUE A ESCURIDÃO?
 

Por que a escuridão?
Confesso que não sei responder 
Mas procuro entender
Será a ausência da fé ?
Ou o escuro revelando o claro ?
Claro que pode ser
Pode ser a tristeza que carregou a alegria
Ou o escuro que invadiu o dia
Levando o claro que existia
A escuridão me faz perder a esperança?
Claro que não, confio no poder da oração
Vou acender uma luz  dentro de mim
E espantar esse escuro que não me permite enxergar
Enxergar o que Deus tem pra me contar
Abro uma janela do meu quarto
Vejo o dia ensolarado
O escuro que existia dentro de mim 
Não andará mais ao meu lado.

 

 

SÃO JOÃO SEM FOGUEIRA

O frio do mês junino
Sempre pede o calor
Este ano foi diferente
Sem a luz da fogueira
O forrozeiro chorou

Não teve o milho assado
O balão não subiu
A comadre não pulou fogueira
A criança não brincou
Parecia o mês de abril

O silêncio ofuscou a noite
Não se via os rojões
Busca-pé, nem pensar
Foi uma noite vazia
Que maltratou os corações

Não vi os filhos e netos
Trajados a rigor
Senti a falta do sorriso
Da criança que corria
Quando o seu traque soltou

Deitado numa rede
Olhei para o céu sem cor
Não se via a fumaça
A noite passou rápido
E a tristeza ficou

A festa junina não existiu
A covid-19 afugentou
O sanfoneiro não foi pra praça
A saia rodada não subiu
O matuto não dançou

 

 

O SOM DAS ONDAS DO MAR

Deitado em uma rede
Entremeada nos coqueirais
Ouço o barulho do mar
Ouso  dizer que a beleza não vai acabar
Um mar que não enxergo o fim
Com a sua cor verde-esmeralda
Traz o som das suas águas
Bem pra perto de mim
Ah e como é belo o quebrar das suas ondas
Simulando flocos de algodão
A rede que me balança
Embala o meu coração
Por vezes um silêncio
E  um vento tênue a soprar
Faço a tristeza se afogar
Com a beleza da natureza
Não consigo resistir
A letargia se faz presente
Faz o meu corpo dormir

 

 

 

PENSE

 

Pense na palavra amor

No sorriso extrovertido

Na palavra que lhe marcou

Navegue no pensamento

Libere o seu sorriso escondido

 

Pense naquele que cai

Na criança desamparada

Procurando pelo pai

No suor do trabalhador

Completando a sua jornada

 

Pense na relva das campinas

Nos perfumes das rosas

Nas belezas matutinas

No encontro com o amigo

Com palavras generosas

 

Pense na alegria do amanhecer

Nos primeiros raios do sol

No pássaro que canta pra você

Com o seu bico afiado

Cantando em si bemol

 

Pense na palavra otimismo

Seja sempre um vencedor

Abandone o conformismo

Na batalha da vida

Seja sempre um torcedor

 

Continue sempre pensando

Pra sua mente trabalhar

Vamos juntos enfrentando

Vencendo os obstáculos

Sem  nunca parar de pensar

 

 

 

UM RIO DE ESPERANÇA!

 

Águas correntes seguindo o percurso do rio

Lavam as angústias desse momento triste que estamos vivendo

Levam a insegurança, as perdas

E o sofrimento que estamos vivenciando

Um barco branco correndo no leito do rio

Carrega as lágrimas da dor

O silêncio que permite ouvir

O som das águas orquestradas

Pela divina natureza

Nos dá uma ponta de esperança

Que voltaremos a sorrir

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